terça-feira, 27 de outubro de 2009

Porque recordar é viver...

[2008, para a disciplina de Português]


"Meu paraíso distante,

Sabes como é importante para mim encontrar-te. Não percebo por que continuas a esconder-te. Não percebo por que não surges no desfazer desta mesma onda que agora domino. Diz-me, a mim, marinheiro perdido neste azul e infinito mar, por que é que não te consigo descobrir.

Não tenho conseguido nada. O meu sonho está longe de ser concretizado. Apenas tenho aumentado a dor em mim. Dor de todas as derrotas sofridas na diária disputa com este meu inimigo, o mar.

A cada onda que passa sinto a minha esperança afastar-se do meu corpo e mergulhar junto das gotas cristalinas deste imenso mar. Sinto um enorme arrependimento de ter partido sem olhar para trás, onde ficara o meu apoio, a minha família, a minha vida. Não pensei sequer que poderia não aguentar tanto tempo de luta e de busca, tudo sem os que amo. Não imaginei que este quarto cerúleo onde agora vivo me pudesse assombrar com as trevas da solidão, do silêncio. Não calculei como seria viver sem aqueles que me deram, em tempos, este mesmo dom.

Enfim, pensara eu que este destemido marujo que agora te escreve pedindo desesperadamente algum sinal de existência, caísse um dia no vazio de viver sem os que lhe deram a vida.

Espero não me continuar a desiludir ao longo desta caminhada com destino no maravilhoso mundo que tanto desejo encontrar.



Com uma ínfima esperança,

Hans, o marinheiro perdido na solidão"

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