Pena de morte – contra ou a favor
Pena de morte. Quando me questiono acerca deste tema, acabo sempre por obter opiniões e argumentos contraditórios, um “pau de dois bicos”. Depois, para tentar aliviar o meu pensamento, digo para mim própria: “Não tenho de me preocupar com isto. Sou ainda muito nova para me inquietar com estes problemas.” De imediato dou por mim a sussurrar frases bem conhecidas como: “Tenho de aproveitar a vida. Nunca se sabe o dia de amanhã.” Depois, enervo-me ao pensar que nunca sabemos o dia de amanhã, porque é bem possível irmos na rua e sermos raptados e mortos. É também credível que, numa ida ao banco, sejamos tornados reféns dum assaltante que acaba por nos dar um tiro na cabeça.
Todas estas verdades me enchem de vontade de vingança. Vontade de restabelecer a pena de morte no mundo. Nestes momentos, fica em mim um enorme desejo de matar todos aqueles que tiram a vida a inocentes, só porque não são felizes, porque não estão contentes com a sua própria vida.
Depois, como é habitual quando penso na pena de morte, contradigo a minha vontade anterior. Então penso que, se assim fosse, nunca terminariam as mortes neste mundo. Seria um ciclo vicioso, onde o fim deste acabaria sempre por ser o início de uma nova volta. É nesta altura que me identifico com aquela ideia de “Olho por olho, e o mundo acabará cego.”, ou seja, se matarmos quem hoje mata, outros, no futuro, nos matarão a nós por também termos morto, e assim sucessivamente.
Mesmo depois de estar nos dois lados da “balança da pena de morte”, acabo sempre por me deparar com prato do “não à pena de morte” mais pesado. Com isto quero dizer que sou contra esta pena. Sou contra, porque defendo que não se deve castigar alguém que cometeu um crime, praticando outro. Sou contra, porque a justiça nem sempre dá uso ao seu nome. Não é propositado, mas por vezes ocorrem enganos, e a verdade é que existiram pessoas condenadas a esta pena que estavam inocentes, segundo posteriores descobertas. Sou contra, porque a pena de morte é o único castigo que não tem retorno.
Será que vale a pena tomar decisões tão definitivas como a morte? Não seria suficiente prender o criminoso perpetuamente, tentando ensiná-lo a viver uma segunda vez, uma segunda e nova vida? Na minha opinião, tudo isto é possível. Acho que todos merecemos uma segunda oportunidade. E perguntam vocês: “E então aqueles a quem os criminosos tiraram a vida? Quem lhes dá, agora, uma segunda oportunidade?” A minha resposta é esta: “Quem sabe se esses inocentes não estarão também a receber uma segunda possibilidade de viver, mesmo que não saibamos onde.”
[2008]
terça-feira, 27 de outubro de 2009
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